O grande pulo ninja da Honda

Toro Rosso largando na quinta colocação - Andrew Hone / LAT Images

E o soberbo quarto lugar de Pierre Gasly da Toro Rosso no GP do Bahrain, nos faz a questionar e mudar as percepções do programa de motores de F1 da Honda que, em um intervalo de duas semanas, conseguiu melhorar significativamente.

A Honda no final da última temporada foi descartada pela Mclaren e, a equipe preferiu abrir mão do benefício de U$ 100 milhões por ser parceira da fabricante japonesa além, é claro, de receber os motores sem custo algum,  para poder colocar no carro desta temporada os motores Renault, devido à perda de confiança nos japoneses que não vêm conseguindo se acertar na atual F1. 

Entretanto, hoje a decisão parece questionável após o fim de semana do GP do Bahrain, onde a Toro Rosso se mostrou muito competitiva diferente do fatídico GP da Austrália, no qual nenhum dos dois carros terminou a prova. 

No sábado, a Toro Rosso superou com seus dois carros, os carros da Mclaren, com Gasly marcando um impressionante sexto lugar, - mas que largaria em quinto no domingo por causa da penalidade de Hamilton - e Brendon Hartley fazendo o décimo primeiro lugar, enquanto as duas Mclaren ficavam apenas com décimo terceiro (Alonso) e décimo quarto (Vandoorne) tempo. E isso, claro, aumentou a pressão sobre a direção da Mclaren, já que estavam correndo na casa de seus principais acionistas

Porém, no final a pressão diminuiu um pouco, pois mesmo com Gasly  terminando em quarto lugar, Alonso e Vandoorne terminaram em sétimo e oitavo lugares, fazendo com que o espanhol o alcançasse o quarto lugar no campeonato de pilotos e a equipe o terceiro no campeonato de construtores, após os dois primeiros GPs. 

O GP do Bahrain também mostrou que a Honda, após um longo período de uma luta sofrida, parece finalmente estar no caminho certo na F1, em seu quarto ano após o seu retorno à categoria desde o anúncio em 2013. 

Mas devemos lembrar que a grande causa dos problemas da Honda foi tentar criar o conceito de 'tamanho zero' do motor, uma teoria que simplesmente era uma boa e revolucionária estratégia, pois assim eles criariam um espaço para o fabricante do chassi ter ganhos na parte aerodinâmica sobre os concorrentes. Porém, na prática a situação foi outra e esse conceito mostrou diversas desvantagens: O motor de combustão interna e o turbo menor do “tamanho zero” não conseguiam criar os níveis de aumento necessários para queimar eficientemente a gasolina usada, com isso, o MGU-H ligado ao turbo não conseguia criar energia suficiente sequer para girar a turbina em baixas rotações e acabar com o turbo-lag (atraso na entrada do turbo). 

E devido a regra de sistema de tokens, que prevaleceu até a temporada de 2016, a Mclaren-Honda sofreu muito com isso não podendo fazer as mudanças necessárias e, só em 2017 com a abolição do sistema de tokens a Honda literalmente desistiu do conceito ' tamanho zero' e executou a mesma configuração de motor dos rivais,fazendo assim com que aqueles dois anos fossem jogados no lixo, pois nesse meio tempo as demais montadoras melhoraram seus motores tanto em confiabilidade quanto em potência, deixando assim a Honda para trás. 

Em 2017, foi possível ver uma melhora no motor Honda com a nova configuração do motor, com Alonso em diversos GPs brigando de igual para igual no meio do pelotão para entrar no Q3 e quando não tinha nenhum problema no motor, ele conseguia esse objetivo, mas na corrida ainda faltava confiabilidade e potência, que muitas vezes o trabalho duro feito no sábado ia por água abaixo no domingo. Então a melhora significativa que a Honda apresentou na pré-temporada e também no GP do Bahrain, é o resultado do trabalho duro que começou na temporada passada junto com a Mclaren. 



O conjunto Toro Rosso-Honda ainda deve continuar sendo questionado? 

Sim, como disse o próprio Alonso no sábado ao ser questionado sobre o desempenho da Toro Rosso na classificação: "Foram ótimos, mas você não perguntou sobre a Toro Rosso na Austrália. Porque, se a pergunta sobre a Toro Rosso se tornar algo normal, eu espero que isso aconteça em todas as 21 corridas, porque o campeonato é de 21 corridas". 

E o que Alonso disse não é nenhuma mentira, pois como diz o ditado 'uma andorinha não faz verão'. E na F1 você precisa ir bem ou ao menos pontuar em todas as corridas se quiser um resultado satisfatório no final do campeonato. No GP da Austrália a Toro Rosso se classificou em décimo sexto e vigésimo lugares e tiveram problemas no motor durante a corrida que fez com que ambos os carros deixassem a prova. 

Porém, para o GP do Bahrain, vimos que a Honda não teve qualquer problema em seus carros, mas tudo isso porque instalaram novas peças revisadas para os dois carros, além é claro, do novo pacote aerodinâmico que a Toro Rosso levou para o Bahrain e, junto a isso tudo, era previsível que eles teriam uma melhora significativa diante de seus oponentes, que praticamente correram com os mesmos carros do primeiro GP,  alguns houveram certas mudanças, mas nada comparado ao pacote da Toro Rosso. 

Então, com isso podemos levar em conta que a Toro Rosso-Honda melhorou de fato, tanto no quesito motor quanto no quesito aerodinâmico, mas devemos esperar até o GP da Espanha para tirar qualquer conclusão, pois será quando grande parte do grid vai levar seus pacotes de atualização e, assim teremos um cenário condizente com a realidade, mas durante a temporada também devemos notar as atualizações de motores que a Honda terá.

Alguns pessoas de dentro da Honda dizem, que a mesma diminuiu a diferença de potência de 12 bhp para o motor Renault e que está previsto para que consigam ganhar entre 25 à 30 bhp com a atualização que o motor receberá no GP do Canadá, que acontecerá em junho. A Honda geralmente só revela os números oficiais das suas atualizações, quando as mesmas aparecerem na corrida em questão.  

E tudo isso mostra que os japoneses continuaram trabalhando duro desde a segunda metade da temporada passada, onde se via Fernando Alonso brigando sempre para entrar no Q3. E para melhorar o motor Honda e assim começarem a entrar no caminho certo para futuramente terem um motor que faça frente aos motores Mercedes e Ferrari, que atualmente são os melhores da categoria.




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